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   Entrevistas


Annis Neme Bassith

Por Marcelo Sousa - 17 de janeiro de 2007


O site Diário de Embu tem a honra de iniciar sua série de entrevistas conversando com Annis Neme Bassith, o primeiro prefeito de Embu das Artes, tendo cumprido o primeiro mandato de 1960 a 1963, e depois sendo eleito novamente de 1969 a 1972. Annis também foi vereador de 1964 a 1968, terminando como presidente da Câmara Municipal. Antes ainda, ele fora vereador representando o distrito de Embu, em Itapecerica da Serra de 1952 a 1955, sendo reeleito em 1956 permanecendo até 1959. Foi eleito novamente para o Legislativo em 1989, onde ficou até 1992. Hoje, já longe dos mandatos políticos e também da direção do jornal Folha de Embu, atividade que exerceu por muitos anos, dedica-se exclusivamente ao



Annis Neme Bassith

ramo imobiliário, à frente da Bassith Imóveis, conhecida imobiliária da cidade, onde recebeu nossa reportagem. Quando prefeito costumava sentar-se na praça da cidade, onde dava conselhos às pessoas que passavam e se achegavam, da mesma forma, após quase 50 anos, fomos ouvir esses conselhos...

D.E.- Perdemos recentemente um dos ícones de nossa arte, Assis de Embu, o que o senhor lembra da chegada dele na cidade?
Annis Bassith –
O início da carreira do Assis começou com a vinda de Solano Trindade (para a cidade). Quando eu era prefeito, na primeira administração, o Solano e o Assis se instalaram na Rua Siqueira Campos, e a grande divulgação que se tinha era por causa do Solano, que era um folclorista de renome. O Embu tinha nomes de expressão na arte: Cássio M´boy, Luiz Almeida Carvalho, Josefina Azteca, Sakai de Embu, Wanderley Ciuffi, Cirso Teixeira e outros tantos. Mas o movimento era individualizado, não havia um conjunto.

D.E. – E qual sua atitude como prefeito, diante dessas atividades artísticas que surgiam?
Bassith –
Eu procurei, na medida do possível, ajudar ao Assis e ao Solano para que eles dessem continuidade a essas atividades, o que chamava a atenção da imprensa de São Paulo. No dia 1º de fevereiro de 1969, dia da minha posse, por iniciativa de Carlos Balian *(então, em cargo equivalente ao atual secretário de Turismo) e de alguns artistas, liderados pelo Assis, houve uma grande exposição que foi um marco, pois isso agrupou todo mundo, daí resultou o êxito da feira. (Feira de Artes). Em seguida, Balian e o Assis trouxeram os hippies, que eram a “coqueluche” da época, eles vieram da Praça da República para o Embu. Inclusive eram enviados ônibus para trazê-los, então a feira estourou!
* não havia o cargo de secretário de Turismo na época.

D.E. – A cidade perdeu Assis de Embu e Aurino Bonfim recentemente, já havia perdido outros artistas importantes. O senhor observa uma renovação desse contingente?
Bassith –
Não, com toda a honestidade não vejo renovação. Um ou outro aparece, mas não com a mesma qualidade que havia naquela época. Agora, há alguns que podem se tornar grandes artistas, mas o nosso artesanato de hoje não tem a mesma qualidade de antes.

D.E. – Os artistas eram individualistas?
Bassith –
Por exemplo, o Mestre Gama, um artista de primeira linha, ele gostava muito de fazer trabalhos “solo”, às vezes ficava sozinho num canto da praça e lá trabalhava independente de todo o processo que existia. A Ana Moysés, uma pintora de renome, da qual também não podemos nos esquecer. Se não fossem os artistas a cidade não teria toda a projeção que teve nem a que ainda tem hoje. Nós demos apoio, pode não ter sido uma grande contribuição, mas nós ajudamos também, através da Prefeitura.


D.E. – Como a imprensa ajudou a divulgar a cidade de Embu na época?
Bassith –
Em programas de rádio, jornais e televisão. Depois em um programa de televisão no qual havia a participação ativa de um artista de Embu, todos os dias de programa, o Assis estava sempre lá, juntamente com o Balian. Deixa ver se eu me lembro...era Clarice o nome da apresentadora (Clarice Amaral – Canal 11 – “Clarice Amaral em Desfile”- um dos primeiros programas coloridos da TV brasileira). Essa divulgação foi ótima para o Embu, o Solano Trindade era um dos artistas que mais atraía a imprensa.

Clarice Amaral

D.E. – De que maneira o primeiro prefeito da cidade vê a administração do atual prefeito?
Bassith –
Se você analisar a atual administração tomando como base a pontualidade nos compromissos eu dou nota 10. Se analisar a opinião da parte periférica da cidade encontrará uma boa aprovação da população, mas no centro da cidade a aprovação é nota 2! É preciso olhar o centro de Embu também, você não tem calçadas para se andar, os muros estão todos sujos, é esse monte de cartazes colados, não tem fiscalização. Por exemplo, a (Av.) Elias Yazbek está uma imundice! Agora na inclusão social e no projeto das cooperativas ele está de parabéns!

D.E. – E o Turismo?
Bassith –
Quanto ao Turismo eu tenho muito a reclamar, não se olha coisas importantes para esse setor. Por exemplo, ninguém reúne os restaurantes para falar de preços, para falar de higiene, para que os turistas saiam satisfeitos. Ninguém faz isso.


D.E. – E como o senhor avalia os secretários de Turismo que já passaram pela cidade?
Bassith –
Eu sou suspeito pra falar...mas o próprio Carlos Balian, que eu citei anteriormente, apesar de ser advogado, enfrentava todo mundo. Do restante posso dizer que deixaram a desejar. O Washington (Tenório Cavalcante), era bem intencionado, mas pouco pode fazer pela escassez

Carlos Balian
de recursos, não houve muito desenvolvimento na época dele. Tenho muitas reservas com todos estes nomes que passaram.
O Fernandão (Fernando Moreira Cerveira*), no tempo do Oscar (Yazbek), também não deram certo, e outros dos quais não me lembro o nome, nunca deram a atenção que deveria dar a essa área. Mais recentemente o Wilson Donnini trouxe algumas verbas do Dade (Departamento de Apoio ao Desenvolvimento das Estâncias).

* Foi presidente do Conselho Municipal de Turismo, criado em 4/11/1974. Comissão que posteriormente foi presidida pelo orquidófilo Abrahan Garson. O setor de turismo era então subordinado à Divisão de Esportes e Turismo, e em 1983, na gestão de Nivaldo Orlandi, passou a ter ainda um coordenador geral, tudo isso aconteceu antes do setor virar uma secretaria independente. Em 1988 o secretário de Turismo era Alcir Spinardi, em 1993 era José Figueiredo e em 1997, Ricardo Pellegrini. Informações levantadas no setor de Atos Oficiais da PMETE.

D.E. - E o atual secretário, Renato Gonda?
Bassith –
Ele também procura ajudar, mas você veja o exemplo do enfeite de Natal na entrada da cidade, você viu que coisa horrível, foi feita inicialmente? Depois foi necessário refazer porque todo mundo estava reclamando. Eu não me conformo que uma estância turística tenha uma coisa dessas na entrada da cidade.

D.E. – E qual é a solução para o Turismo de Embu?
Bassith –
A única saída que vejo é a terceirização do Turismo. Mas há muita dificuldade para isso, no aspecto jurídico e uma outra série de coisas.

D.E. – Mas isso significaria a perda de cargos...
Bassith –
Para o prefeito isso seria uma maravilha, sairia dessa “fogueira”. A primeira coisa que uma empresa séria exige é um projeto turístico, mas não existe esse projeto. Teria que haver uma reunião com os donos de restaurantes para se falar de preço, de como servir bem, e até dos trajes utilizados pelos funcionários. Os banheiros públicos nunca foram bons, dizem que melhoraram (...) é preciso cobrar o uso dos banheiros, tem que cobrar.


D.E. – Cobrar o uso dos banheiros?
Bassith –
Isso. A mesma coisa o Parque Francisco Rizzo, tem que cobrar a entrada, que seja R$ 1,00, para que seja feita uma limpeza, e os visitantes dêem valor. Mas fica lá, abandonado. Você fala com o “Joãozinho” (João Carlos Ramos), ele responde “eu não tenho verbas...”. É uma pena. De manhã vai muita gente lá passear, é impressionante.

Annis Neme Bassith

D.E. - E o grupo “Embu A”, que foi uma tentativa de melhorar o Turismo na cidade?
Bassith –
Era uma boa intenção, mas não há um conjunto de forças, o único elemento é o Horst que segura as pontas. A maioria quer realizações mas não quer pagar pra isso. Tem o Luiz Lombardi, o Luiz Fernando, mas é preciso mais empenho.

D.E. – E a nossa Câmara?
Bassith –
Olha, eu não tenho acompanhado de perto, mas o grande problema da nossa Câmara é que não faz oposição. Não digo oposição ostensiva, mas oposição no sentido de mostrar o que é interesse da cidade. Falta isso. A maioria é do lado do prefeito, tem o Toninho agora, ele tem todo o direito de fazer oposição. A democracia só existe onde há uma participação do Poder Executivo, do Poder Legislativo, do Poder Judiciário e da sociedade, sem isso não há democracia. Mas já foi pior, a Câmara na época do Oscar (Yazbek) muito ruim.

D. E. – E as próximas eleições municipais, há algum nome que desponte?
Bassith –
Na minha opinião não apareceu ainda um homem que você diga que pode fazer uma oposição com nível elevado. As alianças ainda vão se definir, temos o Roberto Terassi, o Chico Brito que fez o nome nas secretarias que ocupou, mas na oposição não vejo nenhum nome que possa despontar com muita força, muitos comentam sobre o Milton do Rancho, que pode reaparecer no cenário político.

 
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