bu
possui inúmeras galerias
de arte, com trabalhos de diversas
partes do país e, com artistas
que utilizam diversos tipos de materiais
para criar e recriar sua Arte.
Arte que conta e reconta a própria
vida humana, em seus mais diversos
aspectos, passados, ou mesmo futuros,
pois para a Arte, não há
limites.
M´Boy,
assim você nasceu...
Estudos históricos afirmam
que o município de Embu foi
fundado pelos jesuítas que
aqui chegaram em 1554, logo após
a fundação de São
Paulo. E mais surpreendente, em
uma de suas cartas, o padre José
de Anchieta já revelava ter
conhecimento da existência
de uma pequena aldeia que seria
a “Vila de M´Boy”.
O significado da palavra M´Boy,
segundo alguns intérpretes,
quer dizer “cobra grande,
hostil”, palavra que pode
ter sido motivada pela existência
de muitas cobras na região.
Outros afirmam que pode significar
“coisa montanhosa, penhascos,
agrupamento de montes”, em
função dos acidentes
geográficos da área.
Uma variação do nome
M´Boy é Aldeia de Bohi
(como era chamada inicialmente),
a data de sua fundação
mais provável é a
de 18 de Julho de 1554.
Os jesuítas tinham a intenção
de fazer com que os índios
deixassem seus costumes e aceitassem
a religião católica
e resolveram avançar pelos
sertões para chegarem até
onde hoje está o Paraguai,
e assim trazerem os índios
guaranis, que haviam demonstrado
docilidade.
Havia ainda a aldeia de Maniçoba,
de onde os jesuítas foram
expulsos pelos índios tapuias
e tupiniquins.
Assim foram obrigados, ao voltar
da peregrinação, a
se deslocarem à Aldeia de
Bohi, como ainda era chamada a Vila
de M´Boy.
Havia quem a chamasse ainda de Aldeia
dos Reis Magos.
Quando eles chegaram, instalaram
a primitiva Igreja Nossa Senhora
do Rosário.
No ano de 1624, Fernão Dias
e Catarina Camacha fariam uma escritura
de doação de sua fazenda
“M´Boy” pelo tabelião
Simão Borges Cerqueira.
Domingos Luiz Grou aparece como
sendo um dos primeiros proprietários
de Embu.
Parte destas terras foi passada
para Fernão Dias Paes, conhecido
como “Moço”,
que era sobrinho do bandeirante
Fernão Dias, o “Velho
Caçador de Esmeraldas”.
Quando Fernão Dias morreu,
Catarina Camacha, sua mulher, ratificou
essa doação à
Companhia de Jesus dizendo que,
além das terras entregava
também aos jesuítas
os índios que trouxe do sertão,
para que também fossem evangelizados.
Pediu também aos padres da
Igreja de Nossa Senhora do Carmo
que desistissem de todas as suas
investidas contra a Companhia de
Jesus por aquelas terras de M´Boy.
Para os jesuítas foi doada
a Fazenda de M´Boy, com a
Igreja de Nossa Senhora do Rosário.
A história, por vezes, atribuiu
ao padre Belchior de Pontes a fundação
de Embu, porém, isso não
poderia ter havido, uma vez que
o padre nasceu em 1644, noventa
anos depois dos primeiros jesuítas
chegarem à região.
Os
primeiros artistas de Embu...
Sem dúvida foram os padres
jesuítas e os índios
guaranis, suas mãos marcaram
para sempre a vocação
da cidade, seja na arquitetura da
Igreja, na escultura dos santos
de madeira, nas pinturas ou no entalhamento.
Começaram a aparecer encomendas
de santos aos padres e é
provável que essa tradição
tenha se mantido entre os poucos
habitantes da vila durante o século
XIV e o início do século
XX.
A tradição que o padre
Belchior de Pontes deixou, com a
criação da Virgem
do Rosário, obra feita por
ele, em estilo barroco em 1719,
estimulou seus sucessores, os índios,
que trabalharam nas imagens de Santo
Inácio, Santa Catarina e
São Francisco Xavier, além
dos ornamentos e entalhes internos
da Igreja.
Em 1759, quando o Marquês
de Pombal expulsa os jesuítas
de todas as colônias portuguesas,
chega em Embu o padre Macaré,
que esculpe, com a ajuda dos guaranis
(carijós), as imagens de
Nossa Senhora dos Passos, Nossa
Senhora das Dores e Os Doze Apóstolos.
Um
atentado à História...
Os 27 anos de administração
do Marquês de Pombal no Brasil
(1750-1777) aniquilaram a memória
e o patrimônio dos jesuítas
no Brasil.
Ao decidir expulsar a Companhia
de Jesus, em 1759, de Portugal e
suas colônias, Pombal ordenou
que os documentos e quaisquer registros
fossem destruídos. Assim
começa a desconstrução
da história de Embu, riquíssima,
intrigante, extensa e apaixonante.
A partir de então M´Boy
se resumiu à atividade agrícola,
um pequeno comércio e fabricantes
de aguardente.
Em 1930 instalaram-se no Distrito
de M´Boy os primeiros integrantes
de uma numerosa colônia japonesa.
Através do Instituto Prático
Agrícola, eles davam suporte
para os agricultores do bairro da
Ressaca e foram, mais tarde, responsáveis
pela tradição do cultivo
de plantas e flores em Embu.
Em 1938, Mário de Andrade,
aproveitando-se da nomeação
pelo Ministério da Educação,
para Delegado do Estado de São
Paulo, tratou de adiantar o processo
de tombamento da obra jesuítica
em Embu, um dos primeiros do território
paulista.
Caminhando
para a Emancipação
de Embu
No início do século
XIX, a Aldeia de M´Boy vivia
um período de franca decadência,
visível no vaivém
de denominações oficiais
que ocorreram entre 1779 e 1880.
Em 1779, passou a ser “Freguesia”,
ou seja tinha uma capela administrada
em caráter permanente por
um pároco que era mantido
graças aos donativos dos
moradores. No entanto, volta a ser
“Aldeia” por um Decreto
de 1832. Nova lei lhe devolve a
condição de “Freguesia”
em 1841. Logo perde essa condição,
que recupera em 1869.
Volta, porém à condição
de “Aldeia” e recupera
em definitivo a denominação
de “Freguesia” em 1880,
tornando-se Distrito de M´Boy
novamente em 1939.
M´Boy
vira Embu
Um Distrito de paz, assim foi M´Boy
de 1939 até 1943. Um Decreto-lei
muda o seu nome de M´Boy para
Embu (sem acento no “u”,
que aliás muitos ainda insistem
em apregoar), seguindo as regras
de acentuação da língua
portuguesa.
Dom Duarte de Leopoldo e Silva,
Arcebispo de São Paulo, determinou
a primeira recuperação
da Igreja de Nossa Senhora do Rosário.
Nos anos de 1939 a 1940, o conjunto
jesuítico, que compreende
a Igreja e a residência dos
jesuítas, foi considerado
Patrimônio Nacional e restaurado
pelo SPHAN que hoje é denominado
Instituto do Patrimônio Histórico
e Artístico Nacional (IPHAN).
Para que Embu fosse uma cidade “livre”,
com direito a ser governado independentemente,
desligando-se de Itapecerica, nossa
“cidade-mãe”,
foi criada a Associação
Cívica de Embu.
Embu
se desliga de Itapecerica
Em 17 de março de 1958, na
casa do Dr. Carlos Koch, na Rua
Projetada (hoje Rua da Emancipação,
125), reuniram-se, além dele,
Horácio Wolf, Gastão
Santana de Moraes Gonçalves,
João Salvador Silva, Hideo
Degaki, Hélio Santana, Pedro
Cândido dos Santos, João
de Moraes, Antônio Batista
Medina, João Batista Medina
Filho, Manoel Batista Medina (Sr.
Néi), Joaquim Salvador Silva,
Annis Neme Bassith, Indalécio
do Espírito Santo Gonçalves,
Isaltino Victor de Moraes, Afonso
Carpi, José Marreiro, Agostinho
Marreiro, Alberto dos Santos Jacob
e Heliodora Pescuma Koch, para formalizar
a emancipação.
A Associação Cívica
de Embu inicia uma forte campanha
pela emancipação com
apoio e orientação
do Professor Doutor Cândido
Motta Filho.
É realizado o plebiscito
no dia 21 de novembro de 1958. Annis
Neme Bassith, Raphael Games Cadenete,
Santiago Games Robles e Dr. Carlos
Koch tudo fizeram para que o plebiscito
fosse um sucesso. A emancipação
é apoiada pela maioria dos
embuenses.
Em 18 de fevereiro de 1959, é
criado o município de Embu,
desmembrado de Itapecerica e Cotia.
Em 1964, o bairro de Itatuba, até
então pertencente ao município
de Cotia, é anexado a Embu.
Embu hoje tem cerca de 250 mil habitantes
constituídos de uma vasta
miscigenação entre
índios, brancos e negros.
Aqui também se instalaram
muitos imigrantes vindo de várias
partes do mundo, Japão, Alemanha,
África. Além de muitas
pessoas vindas de outros estados,
sobretudo, dos estados do Nordeste
brasileiro.
Como em todo o país, é
possível notar também
ainda muitos problemas, a existência
de “dois Embus”, um
está na parte periférica
da cidade, e outro, mais ao centro,
ambos refletem ainda a grande desigualdade
social de nosso Brasil e que devemos
ajudar a mudar a cada dia.
Mas para Embu, que tem em sua história
tantas lutas, batalhas e conquistas
esse também é um grande
desafio: uma vida melhor para todos.
Foram
prefeitos de Embu, a partir de sua
emancipação:
• Annis
Nemes Bassith
por dois mandatos, 1960-1963, voltando
em 1969-1972;
•
Joaquim Mathias de Moraes
por três mandatos, 1964—1968,
1977-1982 e 1989-1992;
•
Oscar Yazbek, por duas vezes, 1973-1976
e 1997-2000;
•
Nivaldo Orlandi, foi prefeito de
1983-1988;
•
Geraldo Puccini, 1993-1996;
•
Geraldo Leite da Cruz
por dois mandatos, 2000-2004, voltando
em 2005-2008;
Conteúdo
pesquisado nos livros: “Embu
- Terra das Artes, Berço
de Tradições”,
de Moacyr de Faria Jordão,
1972 e “Embu – Aldeia
de M´Boy”, de Raquel
Trindade, 2003 e adaptado pela redação
de
www.diariodeembu.com.br
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